Depoimento de Saret Voles, ferraiaan de segunda geração nascido em Porto Novo, para arquivo oral da Companhia das Lanternas: Meu pai contava sobre Ferrária como alguém conta sobre uma casa que ficou grande na memória depois de anos longe. Então estou repetindo com todas as imprecisões que isso implica. Ferrária tinha dois sóis. Não o nosso Vela — dois sóis ferraianos, menores, que cruzavam o céu em ângulos diferentes. As sombras eram duplas. Quando um sol se punha e o outro ainda estava alto, tudo ficava iluminado de um lado com luz de um ângulo impossível para nós. Os pintores ferraianos, dizem os mais velhos, eram a tradição mais bela de qualquer mundo conectado — porque tinham que aprender sombra dupla desde crianças. O ferro em Ferrária não era raro como aqui. A estrutura geológica do planeta era, segundo os arcanistas que analisaram amostras trazidas pelos refugiados, incomum — camadas de ferro nativo em profundidades que aqui chamamos de impossíveis. Isso significa que ferraianos constroem diferente, comem diferente, e pensam diferente sobre o que é abundância e o que é escassez. O que destruiu Ferrária foi a mesma coisa que destrói qualquer lugar: pessoas com poder suficiente para fazer o que queriam sem consequências suficientes para parar.
Mesa adulta
Somos todos adultos aqui. O conteúdo e o jeito como a gente joga são pensados para quem tem 18 anos ou mais.
Não é nada contra os mais novos — é que a gente solta muito palavrão e o papo na mesa é de gente grande.