Depoimento de Maret Vellos, ferraiana de primeira geração, coletado para arquivo oral da Companhia das Lanternas, décadas após a chegada: O muro era alto. Do lado de dentro, íamos nos acostumando ao muro. Do lado de fora, as pessoas olhavam para o muro com misto de curiosidade e alívio — nos queriam por perto o suficiente para usar o conhecimento que Rekta havia oferecido, e separados o suficiente para não terem que se acostumar ao que somos. O problema não era a proteção. No início, a proteção fazia sentido — havia tensão, havia incidentes, havia pessoas em ambos os lados que não sabiam como existir perto das outras. O problema era quando a proteção se tornava conveniente para os que preferiam não se incomodar em aprender. Dentro do muro, construímos. A fonte, as oficinas de metal, as casas com o ângulo de telhado que protege do calor de Vela da forma que aprendemos a proteger do calor dos dois sóis de Ferrária — que é diferente, mas o princípio serve. Fizemos de um espaço provisório um espaço real. Quando o muro foi derrubado, chorei. Não de alegria — de alívio que foi tarde demais para as pessoas que precisavam que chegasse mais cedo.
Mesa adulta
Somos todos adultos aqui. O conteúdo e o jeito como a gente joga são pensados para quem tem 18 anos ou mais.
Não é nada contra os mais novos — é que a gente solta muito palavrão e o papo na mesa é de gente grande.