Relato de Viajante: A Ruína da Chuva de Vidro

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Carta de Osameh, mercador de Forja Norte, para sua filha em Porto Novo, data estimada dois séculos antes do início da campanha: Filha, não sei como descrever o que vi e soar são de juízo. Cheguei à Ruína ao entardecer, como me recomendaram — a luz do sol poente interage com os mecanismos de forma diferente. A primeira coisa foi o som: um acorde que vinha de todos os lados ao mesmo tempo, grave o suficiente para sentir no esterno, agudo o suficiente para fazer os dentes doer. Não era desagradável. Era como uma porta muito pesada se abrindo. Depois vieram as luzes. Fragmentos de algo luminoso descendo do ar — não caindo, exatamente, porque caem devagar demais e em ângulos impossíveis. Ao tocar o chão, não se apagam: ficam por alguns segundos como pedras de vidro quente antes de desfazerem. Vi homens tentando pegar esses fragmentos. Todos desapareceram antes de serem alcançados. O que me perturbou, filha, não foi a beleza. Foi a sensação de que tudo aquilo estava sendo feito para uma audiência específica, e que essa audiência não éramos nós. Éramos simplesmente os que estavam presentes.