Do diário de Santa Orin das Vozes, membro da primeira equipe de exploração de Azúria: Cruzei o portal às cinco da manhã, no horário de menor tráfego da câmara, para que houvesse silêncio suficiente para ouvir o que acontecia. Do outro lado: ar frio e limpo. Luz azulada — não de um sol azul, mas de um sol branco refletindo em solo e rocha que têm naturalmente aquela tonalidade. Gravidade ligeiramente menor, o que o corpo nota antes da mente. Depois notei a diferença real. Ithara estava mais claro. Não mais alto — mais próximo. Como a diferença entre ouvir alguém em um corredor grande e ouvi-lo em um quarto pequeno. A presença não mudou; a distância sim. Chorei. Não por tristeza — por surpresa. Porque sempre soube, teologicamente, que a distância entre o Cosmo e o material varia. Mas saber teoricamente e sentir que o deus com quem passei a vida inteira ouvindo com esforço de repente está ouvível sem esforço — são experiências categoricamente diferentes. Fiz um voto novo naquele momento, de joelhos na terra azulada de Azúria: qualquer coisa que aprendi a dizer por hábito precisa ser reavaliada à luz de estar próximo o suficiente para ouvi-lo claramente responder.
Mesa adulta
Somos todos adultos aqui. O conteúdo e o jeito como a gente joga são pensados para quem tem 18 anos ou mais.
Não é nada contra os mais novos — é que a gente solta muito palavrão e o papo na mesa é de gente grande.