O Primeiro Sonho — Relato de Varen

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Do 'Livro das Cinzas', texto fundacional do Mandato das Cinzas, seção atribuída ao próprio Varen: Em meu sexagésimo e segundo ano acordei com a forma de uma runa completa em minha mente. Não fragmentada, não sugestiva — completa, com a precisão de algo que havia sido inscrito no interior da minha cabeça por alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Reproduziei-a imediatamente, antes que o despertar a apagasse. Estava certo de que o sonho era sinal — errado demais para ser apenas sonho, completo demais para ser coincidência. Mas não tinha como testá-la. Uma runa de cinza sem cinza de santo é um desenho. Uma runa de cinza com cinzas de santo que não deu seu consentimento é, segundo todos os princípios que aprendi com Celm, uma violação de voto. Passei meses desenhando a runa em papel. Em madeira. Na areia. Em cada material que não importasse. Esperando que ela me dissesse o que faltava. O segundo sonho chegou quatro meses depois: fogo e o que resta do fogo. E a certeza, ao acordar, de que eu havia entendido errado a primeira coisa. A runa não precisava de cinzas de qualquer santo. Precisava de cinzas de um santo que escolhesse ser cinza.