Os Últimos Dias de Lúmen Verde

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Traduzido do oral por intérpretes de Porto Novo, depoimento de uma fez identificada apenas como 'Velha do Portal', anos após a chegada: Lúmen Verde tinha dois tons de verde. O verde das plantas e o verde do céu às horas específicas em que nossa lua passava pelo cone de sombra do planeta. Duas verdes diferentes. Eu pensava que tinha antes disso. A Infecção começou com uma pedra do céu. Uma pedra que não explodia — enterrava-se. E depois a terra ao redor da pedra ficava de uma terceira cor verde que não era as duas nossas. Uma cor verde que não pertencia a Lúmen Verde. Duramos quanto duramos porque os que viram os primeiros sinais correram para contar antes de ficarem incapazes de correr. Duramos porque nossa tradição de limiar nos ensina que os espaços entre coisas são reais e que o espaço entre o que ainda está vivo e o que já foi tomado é um lugar onde você pode estar, por tempo suficiente para fazer algo. Na arca não havia espaço para chorar. Havia gente demais. Havia crianças que não deviam saber o que estava do lado de fora da parede. Havia animais que sabiam e faziam barulho por isso. Quando o portal abriu e os que estavam do outro lado perguntaram o que precisávamos, a primeira coisa que disse foi: 'Fechem o portal logo.' Porque tinha passado tempo suficiente e qualquer segundo a mais era risco. Eles fecharam.