O Primeiro Ato de Cura — Relato de Santa Mirel

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Do livro 'As Mãos e a Água', compilado dos ensinamentos de Santa Mirel das Mãos Abertas: O homem ia morrer. Isso eu sabia — a ferida tinha três dias e estava preta até o cotovelo. Sarent o Prático já havia dito que a amputação era a única opção e que mesmo assim as chances eram ruins. Não planejei o que fiz. Não sabia que era possível. Só sei que quando olhei para aquela ferida, senti Velmara — não como voz, não como visão, como a sensação de que havia algo que eu deveria lembrar ao braço dele sobre como ele era antes. Coloquei as mãos. Não disse palavras. Pensei apenas: este braço sabe como funcionar. Ajuda-o a lembrar. O que aconteceu foi lento — não dramático como nos relatos posteriores, que sempre adicionam luz e sons. Foi simplesmente que o preto começou a recuar, milímetro por milímetro, ao longo de dois dias. O homem ficou de pé. Eu fiquei na cama por três dias depois. Com febre que não era doença — era o custo do que havia feito. Velmara não me cobrou com palavras. Cobrou com energia que era minha para dar e que agora precisava ser reposta. Isso que precisam entender sobre a cura: não é um milagre que não custa nada. É um presente que custa tudo o que você tem para dar naquele momento.