Recolhido por folcloristas da Companhia das Lanternas de populações locais da região de Porto Novo, período anterior à descoberta da Câmara dos Portais: Em dias sem vento, quando o chão está seco e o céu claro, os mais velhos sentam com as palmas das mãos na terra e escutam. Não com os ouvidos — os ouvidos não ouvem isso. Escutam com o que está dentro dos ossos, com o que o sangue sente quando está quieto. O chão aqui canta. Uma nota baixa demais para ser música, regular demais para ser terremoto. Os avós dos avós já sentiam isso. Os filhos dos filhos ainda sentem. A pergunta que ninguém soube responder nunca foi 'o que é isso' mas 'para quê'. Porque o chão não canta para o vento, não canta para a chuva. O chão canta como quem aguarda uma resposta específica. E a resposta não chegou ainda. — Coletado de Maren das Pedras, pastora, região central de Cabo Verdejante, era anterior à fundação de Porto Novo.
Mesa adulta
Somos todos adultos aqui. O conteúdo e o jeito como a gente joga são pensados para quem tem 18 anos ou mais.
Não é nada contra os mais novos — é que a gente solta muito palavrão e o papo na mesa é de gente grande.