Carta Privada — Um Membro da Expedição

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Carta não oficial, nunca enviada, encontrada entre os pertences pessoais de um membro da expedição de descoberta, Arev Soldas, depois de sua morte de causas naturais décadas mais tarde: Quero registrar isso antes que a memória oficial apague o que a memória pessoal sabe. Quando entramos pela primeira vez na Câmara dos Portais, o silêncio era diferente. Não o silêncio de um lugar vazio — o silêncio de um lugar que está esperando. Sou incapaz de descrever isso de forma que não pareça fantasia, então deixo a fantasia porque a alternativa é não descrever. Os portais: sou um soldado, não um arcanista, então não percebi imediatamente o que os arcanistas perceberam sobre o estado cosmológico de cada um. Percebi outra coisa: cada portal tem um cheiro diferente. Não forte, não perturbador — apenas diferente. Um cheiro de mar frio. Um de pedra seca quente. Um de florestas após chuva. Um de algo que não consigo nomear porque nunca encontrei antes. Pergunei ao arcanista Yest se os portais tinham cheiro. Ele me olhou como quem recebe uma informação que não estava esperando e disse: 'Não deveria ser possível.' Depois ficou em silêncio por tempo considerável antes de anotar algo. Não sei o que anotou. Mas o cheiro do quarto portal, o que não consigo nomear, voltou para mim em sonhos às vezes. Não de forma perturbadora. De forma saudosa.